No escritório, já sabem. Sabem quando ela fica de mau humor, mais calada, suspirando de tempos a tempos. Acontece uma vez por mês e não é fisiológico, essa parte é mais fácil para a mulher. Sucede quando tem de classificar papéis, dividir despesas para enviar á contabilidade e preparar-se para a estalada maior ou menor dos famigerados impostos. É uma espécie de período, sim. Mas bem mais chato pela sensação de absoluta injustiça que paira sobre todas as pessoas que resolveram montar micro empresas e que decidiram cumprir com as suas obrigações de forma bem mais transparente ou correcta que muitas das grandes companhias. Hoje é esse dia e a mulher, depois de se tentar distrair com outros afazeres, entrou na tarefa. Já vai no vigésimo suspiro.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
assado e assim
O ananás levou com a chapada do sol, as folhas amareleceram com a temperatura, o sumo ficou pequenino e as fibras começaram a inchar. Vou rebentar, pensou, ou então transformo-me num assado.
É assim que eu me sinto hoje. O melhor é encher a garrafa de água pela terceira vez.
É assim que eu me sinto hoje. O melhor é encher a garrafa de água pela terceira vez.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
summer groovin'
Verão pede destas coisas. E lá que isto nos compensa o dia ou o acaba bem, não há a menor das dúvidas. Thanks, Pharrell.
(E obrigada Aninha Krausz!)
quinta-feira, 4 de julho de 2013
florida
Cada vez são mais os amigos que abandonam Portugal e procuram o mundo lá fora em busca de uma vida melhor, mais compensatória, mais justa. Tenho pena por nós, pelo nosso país se revelar um crescente afastador de esperanças, em vez de um mobilizador de crenças, orgulho e talento. Quando cada vez são mais os jovens e os jovens adultos que saem, levando consigo os seus filhos e o cliché do futuro, em que é que se tornará Portugal? Na Florida da Europa? Triste, muito triste.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
monsters
Adoro filmes de animação. Não posso evitar. Comovo-me, rio-me, apaixono-me pelos personagens, detesto os vilões, fico com uma tremenda de uma pena quando vejo a palavra the end, vejo-os mil vezes ao lado dos meus filhos até ao ponto de saber todas as falas. Monsters University foi o penúltimo que vi (porque nunca haverá um último), ao lado do meu miúdo mais novo. Mal posso esperar por que chegue o próximo da Pixar. Deve ser uma espécie de infância que não me abandona e que, espero, nunca acabe.
terça-feira, 2 de julho de 2013
o problema
"Já sei muito. Sei uma coisa. Sei que não são os vestidos que fazem as mulheres mais ou menos bonitas, nem os cuidados de beleza, nem o preço dos cremes, nem a raridade, o preço dos enfeites. Sei que o problema está algures. Não sei onde. Sei só que não está onde as mulheres julgam."
Marguerite Duras, O Amante
segunda-feira, 1 de julho de 2013
o direito
A mulher sentia-se intoxicada e sabia que não era dos cigarros.
Havia uma espécie de aperto, de sensação desagradável na garganta, nos pulmões.
Foi à farmácia, desculpou-se com o excesso de sol e com o ar condicionado do automóvel, comprou Brufen, engoliu um Brufen, programou a toma do outro para as 19.30h, e ficou à espera.
A mulher sabia a razão e não era o tempo.
Tal como a espera também não era a mais óbvia.
A vida tinha destes mistérios: o corpo dava respostas quando elas não podiam ser dadas da forma mais directa, as costas denunciando cargas exageradas, a garganta reclamando do silêncio obrigatório. Mas havia sempre os remédios que tiravam os sintomas e tornavam a espera mais agradável, valha-nos isso, ou mais suportável, no seu mascarar das causas reais.
Contudo, a mulher sabia que o corpo não resistia a tudo isto durante muito tempo, pelo menos o seu. Por isso, a mulher ficou à espera, dando-se a si mesma o direito da espera ter um limite. Se havia algo que não desejava para si era ficar doente.
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